mariana fala - pequenas prosas para breves visitas

o que há por detrás 3 - uma série

paciente uma mulher loura sem filhos que caiu de um despenhadeiro na estrada que contorna a chapada mais bonita do estado, onde você passou frio em julho e pensou onde estou e como no sertão a noite é estrelada em estado grave necessita de sangue vivo vermelho em derramamento pela paz mundial, porque você mora com um mártir um herói do povo e advogado dos pobres e oprimidos de qualquer tipo. ligue do seu telefone até hoje vazio de sentido 32454040 e diga SANGUE para se cadastrar. o banco público depositário reservatório dos pedaços alheios de plaquetas - alguém grita da sacada de onde se vê o vale: todos os dias no cariri é possível enxergar essa constelação em forma de trapézio que abraça as três marias - agradece esse ato de amor e fé cristã.
 
- nunca no mundo pensei que houvesse um astrofísico perto de mim, profundo conhecedor de fins de mundo, meteoritos, espelhos celestes cadentes milagres prestes a casar com a melhor amiga que por um acidente não nasceu minha irmã. 

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o que há por detrás das mensagens padrão - a série

em caso de despressurização, máscaras jamais cairão automaticamente e você pensa: vou morrer, hoje é meu último dia de vida, e vem na sua cabeça o dia em que pela primeira vez seu pai soltou a sela da sua bicicleta na avenida beira-mar. você não olha para trás e pergunta: pai, voce ainda está me segurando? e ele diz, de longe: sim, continuo segurando você. e no outro dia, há a cerimônia para arrancar definitivamente as rodinhas com chave de fenda, um alicate e um tanto de temor. caso as máscaras venham a cair, puxe uma delas, pense em deus, pense que nunca mais ninguém vai abandonar você três quilômetros antes do seu carro, com o porta-malas cheio do seu coração, do seu estômago, da sua boa vontade, pense que nunca mais derramarão gasolina sobre o seu corpo, nunca mais tocarão fogo nos seus calcanhares com fósforos gigantes em brasa, coloque-a sobre o nariz e a boca ajustando o elástico em volta da cabeça e depois auxilie os outros, caso necessário. se houver uma criança ao seu lado, deseje todos os dias ser mãe, deseje que seu filho seja parecido com você, um cabelo enroladinho, uma pele alva e curiosidade inquieta. dizem que esta aeronave possui 06 saídas de emergência, mas somos tantos em busca da mesma porta estreita, da mesma chance de salvação celestial, 02 portas na parte dianteira, 02 saídas sobre as asas dos albatrozes que cruzam o relento do céu quando passamos em cima do rio são francisco, à direita da aeronave, e 02 portas na parte traseira. cartões com instruções detalhadas de segurança e de como não entregar o corpo ao vão sentimento dos que parecem amar você mas não amam, encontram-se na bolsa à sua frente. como medida preventiva, o cinto de segurança de demência de impedimento de falta de libertação espiritual deve estar afivelado durante o vôo. lembramos que o assento de sua poltrona é flutuante e estaremos todos imersos na mesma água até que alguém nadará em sua direção gritando seu nome e tirará sua roupa pesada debaixo dágua e amará sofregamente cada pedaço do seu corpo mole. você diz, ainda torpe que Obrigada por terem escolhido meu corpo e tenham todos uma ótima viagem.

dentro de instantes, stela olha relógio que você deu a ela, stela só pensa no relógio que você deu a ela de presente de um ano, pousaremos no aeroporto isabel das coroas divinas, em longe dos confins do sul. mantenham o encosto os bonecos de vudu as encruzilhadas os problemas acabaram de suas poltronas na posição vertical, sua mesa antes posta com o banquete padrão das datas comemorativas: peru, gravy, chutney de maçã, vagens levemente apimentadas fechada e travada. mantenham os cintos de segurança afivelados. informamos que durante o pouso, reduziremos as luzes da cabine e você se lembrará docemente da meia luz do dia em que você chorou pela primeira vez até dormir e no outro dia acordou sem saber quando teria caído a última gota de lágrima. meu nome é aurora, chefe de cabine dessa aeronave chamada céu e em nome da equipe do comandante jesus desejo a você a eternidade e pronto.

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novíssimo supermercado sobe sobre a avenida

Este estacionamento é uma cortesia do senhor teu deus para ti, meu filho, e para o teu amor doente - e trôpego

Não nos responsabilizamos por acessórios, corações dilacerados, ou objetos - abscessos alheios ou dores que você pode tomar para si, abandonados ou deixados no interior do seu veículo, da sua alma, da sua doce alucinação.

este não é um lugar, esta espera não é para você, apresse-se, 
corra. 

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do drummond, porque é proibido sonhar neste país.

SENTIMENTAL

Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências este cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."

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gênesis: 1, 27

neide caminha depois do expediente. short jeans, blusa rosa ou vermelha, um colar combinando com brinco que comprou do galego, o galego empurrando aquele enorme carro vendendo penico, brinco, bíblia, banco, peso de porta, filtro de plástico e prazo, trinta, sessenta, noventa, cento e vinte, cento e cinqüenta, ele grita, pegando carona no anúncio famoso da tevê. nada acontece a neide desde que, pela última vez, procurou o pastor da igreja triangular. pastor, preciso falar com o senhor. e o pastor de imediato disse neide, eu sei que você anda muito reflexiva, pensando sobre a existência de deus, mas isso é errado e isso afasta você da figura divina, minha irmã, isso impede você de construir seu lugar no paraíso, isso aproxima a sua imagem da imagem do tranca rua, então eu lhe peço que reflita em deus, que deposite sua fé e seus dez por cento, que o que deus está fazendo por você, minha irmã, é garantindo sua vida eterna, e sua presença aqui na igreja triangular do sétimo dia da graça de deus (e começou a gritar com a mão na cabeça dela) é promessa de salvação. renegue a questão (e gritou ainda mais) em nome de jesus. aleluia? e ela respondeu: aleluia.
 
mas neide caminha depois do expediente, e hoje como não tem igreja ficou contando quantos policiais enxergava no calçadão, quantos homens de patins, quantas crianças de bicicleta. contou 32 policiais, 24 homens de patins (misturou mulheres, se não se confundiria) e perdeu as contas das crianças de bicicleta quando de repente apareceu na sua frente GALDENCIO A+. sangue ordinário, fator rh positivo, farda azul engomada. mudou de direção, seguiu GALDENCIO A+ e já imaginava se afastando de uma vez por todas da promessa de salvação, aproximando sua figura do portal do mal e dos braços do capiroto, porque deus jamais aprovaria um homem como aquele, pecador a partir do dia em que nasceu, só pela delícia da pele morena. aleluia? neide pensava na pergunta do pastor, até que GALDENCIO A+ olhou profundamente dentro do decote da blusa de neide. depois disso foram dias e dias de muito calor e um pouco de culpa cristã, que a igreja triangular do sétimo dia da graça de deus tinha herdado do pouco que o bispo sabia sobre o judaísmo. até o dia em que a neide descobriu que o GALDENCIO A+ era pai de cinco filhos de uma morena belíssima, lustrosa, a carne dura, pouco peito, muita cintura, e desistiu pela eternidade se afastar de qualquer homem de farda.

voltou à igreja, consultou o pastor, aumentou o dia do culto pra dois.até que um dia chegou à igreja triangular um homem alto, moreno, de corpo magro e procurando jesus cristo. achou a neide, recostada no portal, esparramada no parapeito com a bíblia na mão, esperando o expresso pra caucaia. o homem era ninguém mais ninguém menos que SANTOS O- à paisana, que além de ter sangue puro doador universal salvador das almas desesperadas tinha um maxilar de matar qualquer civil de inveja. perdeu o ônibus da caucaia, adeus folga. largou um envelope florido dentro da bíblia de SANTOS O- com um salmo copiado e um pedaço de um verso de vinícius, com epígrafe de bíblia (do gênesis) porque neide lia vinícius, não era uma vendedora de cosmético qualquer. dizendo que porque hoje era sábado, "todos os namorados estão de mãos entrelaçadas".
aí a promessa divina de salvação se fez, o galego foi pago, apagou-se de vez a figura do mal, abriu-se a porta da esperança, o silvio santos estava dentro com o "esse aqui é o sales, neide, e ele veio trazer uma novidade pra você". e neide ganhou a casa própria, um guarda-roupa de cinco portas, cozinha de aço, cachorro de raça, um marido que trabalhava de hilux. aleluia?

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do bel, porque hoje é quarta-feira

e beija-me,
como se eu fosse um homem livre
como um gesto primitivo
do amor humano / animal, substantivo
do amor humano / moreno, brasileiro.

o maior amor do ano no cinema americano!

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ontem alguém ganhou sozinho o maior prêmio da loteria esportiva

o veludo escuro dentro da caixa era um vão. todas as facas, espátula de bolo, a colher do açúcar em forma de flor. tudo tinha sumido. no centro da arca do faqueiro, apenas uma chave que devia ter pelo menos 20 anos, escura, bronzeada, torneada na ponta por alguma curva que parecia um coração, uma onda quebrada na beira, uma letra m. tomei. fui entendendo aos poucos. por um tempo que não sei medir, senti uma plenitude, como se o mundo e eu fôssemos do mesmo tamanho, como se só houvesse oxigênio vaso dilatação uma enorme baía, um nada, vento, eu criança correndo correndo um terraço, a sombra deficiente de uma planta enorme e longilínea de que não se sabe o nome: algaroba. se antes da morte for me dada a graça o sabor de sentir o que é vida em um enésimo de segundo, vou pensar na arca do faqueiro vazia em cima da mesa. a colher do açúcar em flor, a espátula de bolo, não há nada, tudo se resume ao veludo escuro bem cuidado reluzente que se abre na mesa de vidro e a chave. penso no que é morar. como é estar sentada em um sofá pardo, provisório, coberto com uma colcha que herdei de uma tia que não tinha filhos, o chão limpo, a cabeça tranqüila, e a porta abrir, com uma força, uma potência de propriedade e pertinência. a porta abrir e eu, com um abajour, um livro e pequenos pertences para o momento entre o ócio e o amor, dizer algumas palavras roubadas, conversar de novo as mesmas coisas que temos repetido durante todos esses anos. e você liga a televisão no esporte: está frio e se fica ainda mais bonito de mangas compridas. eu me derramo em roupas pretas de casa (cheiro de amaciante azul) numa ponta do chão de ardósia, as omoplatas apoiadas na parede de tijolos vermelhos da sala. apenas um retrato recém-emoldurado se pendura na cor da casa nova, um retrato que você me prega como um bilhete boas vindas - a casa é sua: meu cabelo penteado para o lado, meu sorriso falho, uma letra infantil que dizia meu nome completo, quase num desenho sem sentido. olho para você de frente, com força e um tanto de temor: somos de algum modo uma coisa só. 

no outro dia de manhã, antônia às seis e meia faz o café na panela de rosca, o cheiro inunda a beira do quarto. ao me ver cruzando a porta, ainda de camisola: "seja bem-vinda, senhora." de dentro de mim sai um choro tranquilo e silencioso, e uma enorme vontade de comer uma coisa morna, fresca, manteiga. antônia me serve o café numa xícara branca, louça boa, rendada na ponta, a asa fina que quase não cabia meu indicador. antônia me viu observando a xícara e deu um sorriso: "é tudo novo, é tudo novinho." tenho medo de que você acorde e desista, mas agora é seu cheiro de trabalho e dia que toma a cozinha. levanto, dou um passo largo ao seu encontro e olho para antônia. "sejam bem-vindos, os dois, a casa é outra hoje." e entrou quarto a dentro pendurando o pano no avental. você me olha e diz que no banho você acorda, que no banho frio você entende que o mundo precisa funcionar, mas que eu tome meu tempo, que a partir de hoje a casa dez daquela rua estreita de paralelepípedo era nossa, e que todos os talheres da arca de veludo do faqueiro vazio que veio com a chave estavam guardados, brilhando, pesados, na primeira gaveta do lado esquerdo da parede poente da cozinha. e que era tudo ali, a tapioca fina de antônia, os lençóis barulhentos grossos da cama, os seus discos. tudo o que era da porta da rua aos postigos de madeira da biblioteca: minha casa.
e que ali começava o ano da graça de mil novecentos e oitenta e dois.

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do ruy vasconcelos

tirei da zunái (www.revistazunai.com) este poema do ruy vasconcelos, que também está na antologia alguna poesía de fortaleza, organizada por diego vinhas. a antologia chegou às minhas mãos em uma tarde bonita de 2009 que vai embora correndo. parece dizer: tem acontecido alguma coisa na sua cidade (ou seria com ela?). preste atenção.

o poema me chama pra perto porque parece o meu nome, talvez também o seu. o ruy escreve também em www.afetivagem.blogspot.com 

TEU NOME

em teu nome
há um mar 
e uma bossa nova
um jaguar 
um césar
uma roda d’água
um adro de igreja 
pétala de jasmim
um dente de alho bem dourado
e a enamorada de teseu
uma casa em messejana

em teu nome roubado
e toscano
frágil e nuvem no centro
auro e prumo nos flancos
há uma seita herética
um relógio de sol 
um odor de lavanda 
uma muralha em inglaterra
o ato de içar bandeiras
uma graciosa cabala
um atril

em teu nome
de vogal há bromélia
e adstringente entropia
mercearia em mariana
letra à giz sobre lousa verde
uma alergia, um parque
um coreto limado de sol
e sombras devolutas 
num pátio de gaudí 
e bredos-da-praia, e copa de aluá 
canoa em camocim

afora uma caligrafia
de ponta à cabeça
a meio gasto

e nessa caligrafia
giro de ciranda
está escrito
letra à giz sobre lousa verde
o teu outro nome

está escrito
o teu nome de guerra

que era

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do morgan, por virna teixeira.

princesa do cariri me envia o poema do morgan, com tradução da virna, pra encher minha noite de segunda-feira de melão, beatles e amor.

"OBAN GIRL"

A girl in the window eating a melon
eating a melon and painting a picture
painting a picture and humming Hey Jude
humming Hey Jude as the light was fading

In the autumn she'll be married.

(Edwin Morgan)

"GAROTA DE OBAN"

Uma garota na janela comendo melão
comendo melão e pintando um quadro
pintando um quadro e cantarolando Hey Jude
cantarolando Hey Jude enquanto a luz esvanece

No outono estará casada.

tradução: Virna Teixeira

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recuperando a voz de joaquim

setembro me chama atenção para o que existe pouco, ou quase nada. desde os livros que nunca manuseio a um abraço no ponto de ônibus, visto de dentro do carro, num engarrafamento na tenente benévolo. vai embora na mesma velocidade em que chega porque não se pode passar o resto da vida assim, atenta ao que existe pouco ou quase nada. setembro me chama atenção para a fala de joaquim, por joão cabral de melo neto, extraída de "os três mal amados", para que permaneço com a memória de ter lido emprestado, ter lido enviado. preciso de mais livros do que posso guardar ou manter. é preocupante.  

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."

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